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Sylvia Ji é uma grande artista nascida em  Sâo Francisco, EUA. Seu talento vem de família, pai e mãe artistas, um pintor e outra ilustradora. Seus quadros são lindos e envolventes, dá vontade de abraçar suas mulheres ornadas e pintadas para a morte. É o tipo de trabalho que fica muito bem na internet, ele se adapta ao nosso mundo cada vez mais digital, porém, ela pinta, e isso importa muito. Pintar é o grande diferencial, pois é controlar a matéria em que nós vivemos, dou a isso muito valor. Seu site é: http://www.sylviaji.com  Um ótimo site, vale muito a pena ir lá, tem muita coisa, mostra todo o seu trabalho de uma maneira fácil e descomplicada. Vou começar com o vídeo. Aproveitem bem a mágica da menina.

Difícil escolher imagens para postar, quero postar tudo…

Alô, alô!!!!

Publicado: fevereiro 4, 2011 em Textos
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Sejam Bem vindos!

Vou poder postar aqui muito material bacana sobre arte, vou publicar o que eu penso e o que descubro nas minhas andanças por aí. Hoje me sinto ganhando o mundo e muito feliz por poder partilhar esse mundo com todos. Nesse primeiro post vou publicar um texto de Ricardo Newton, amigo e professor que sempre me surpreende com sua cultura.  Os textos do Ricardo e de outros artistas alimentarão esse blog constantemente, espero que os comentários surjam e façam do blog um lugar democrático e útil para todos. Obrigado e segue o bonde!

O CREPÚSCULO DOS ALQUIMISTAS DA COR

Rembrandt- O supremo alquimista.

Sabe-se que os antigos alquimistas transitavam em uma área entre a Ciência e a Magia executando experiências de transmutação de metais à procura da fórmula da lendária pedra filosofal e da criação do ouro alquímico por processos de laboratório. Porém o objetivo oculto era, ao final do processo, a transformação do próprio alquimista, que, de início imerso em estados inferiores de consciência, experimentava uma poderosa ampliação desta, em procedimento que se comparava à alteração do chumbo (para eles o metal inferior) em ouro. Dizia-se que a complexidade dos conhecimentos era de tal monta que a Alquimia podia ser aprendida, mas não podia ser ensinada. Esta frase, um tanto enigmática, pode ser adaptada com acerto, e entendida adequadamente tendo como referencia o ensino da pintura, particularmente a pintura a óleo, ou o que foi um dia este ensino… No alvorecer do aperfeiçoamento das técnicas pictóricas durante o Renascimento e nos séculos posteriores, o aprendizado se dava no âmbito do ateliê de um mestre de reconhecida competência, que passava as informações a um selecionado grupo de discípulos que depois, por sua vez, faria o mesmo com seus próprios alunos.

É importante que se diga que a extrema qualidade técnica exigida naqueles tempos tornava necessário um longo e penoso aprendizado envolvendo a manipulação de informações de sutileza e complexidade incomparáveis. Assim, digamos, toda esta técnica refinadíssima podia ser aprendida pelo aluno, mas não podia ser ensinada pelo mestre, o qual, ainda que transmitindo os conhecimentos necessários não podia conduzir a mão do discípulo, que tinha que manipular por sua própria conta pincéis, solventes e misturar as tintas, tendo que decidir entre uma imensa série de probabilidades, num trabalho de extraordinária envergadura.

Assim como o alquimista medieval partia da prima matéria, como era chamada a substancia inferior, para através de combinações sucessivas fazê-la evoluir através de um processo de sublimação que envolvia diversas etapas, poderíamos traçar um paralelo dizendo que a prima matéria do pintor seriam as cores básicas que utilizava em sua palheta. Imaginem a complexidade do ato de transformar vermelhos, amarelos, azuis, verdes e outras cores saturadas na sutileza de um tom de pele criado por Rembrandt ou Velásquez, os supremos alquimistas. “Assim, a obra final, por exemplo, “As Meninas”, do pintor espanhol, ou” A Ronda Noturna,” do holandês, seriam como que o ponto culminante deste processo alquímico-pictórico, e a criação destas obras inigualáveis, o produto final da purificação do pigmento bruto em verdadeiro ouro, genuína metáfora para trabalhos daquela grandiosidade.

Assim como a alquimia, chamada A Real Arte pelos seus adeptos desapareceu da vida cotidiana no mundo contemporâneo, sendo ainda praticada, especula-se, por alguns iniciados; com o advento das correntes modernistas no século passado, que eram compostas por artistas que nutriam diferentes relações com a cor, a estética, e o processo de execução da obra, o pintor foi perdendo o contato com as técnicas tradicionais, e as diferentes gerações de artistas a partir de então seguiram outras tendências. Alguns grupos se mantiveram coesos em torno dos antigos procedimentos e passaram o legado para outros ao longo do decorrer do século passado, mas, infelizmente, como era inevitável, houve uma degradação do conhecimento, as informações chegavam cada vez mais truncadas, e a execução da pintura como alquimia, no nível dos grandes mestres quase uma impossibilidade real.

O que se observa hoje em dia nas galerias mais proeminentes e que são objeto de atenção da mídia? Em primeiro lugar, notamos a diminuta presença de telas nas paredes. Encontrando-se algumas, nota-se o abandono quase total da técnica da pintura a óleo. Assim, vemos relegada a quinto plano a técnica que durante séculos foi usada pelos mais extraordinários artistas e na qual as maiores obras primas foram executadas.

O mundo em que vivia o pintor alquimista evidentemente era outro, e as mudanças estéticas ocorridas durante e após o Impressionismo criaram novas opções que geraram obras de valor inquestionável. Mas será que o processo histórico da arte deve ser encarado como uma flecha desfechada em linha reta sempre à procura do absolutamente novo? (e o que seria hoje em arte esse absolutamente novo? Mas este é tema para outra discussão.). Os druidas celtas viam o tempo à moda de uma pessoa que estivesse parada à frente de um carrossel observando os acontecimentos se sucedendo perante seus olhos em um movimento circular. Esse, segundo eles, era o “tempo dos deuses”. Assim sendo, certos valores estéticos pertencentes a épocas antigas podem ressurgir com outro significado e objetivo. Algumas pessoas ainda se dedicam ao estudo da pintura como procedimento alquímico, tendo aprendido os fundamentos com alguns dos últimos pintores que seguiam a linhagem. Portanto, não seria nada impensável se uma nova geração se interessasse pela pesquisa das técnicas relegadas ao esquecimento.          Dentro do processo alquímico dos laboratórios medievais havia um procedimento chamado calcinatio, em que, pela combustão, a matéria densa era reduzida às cinzas, e daí através de outras manipulações, a operação era levada ao seu final com o renascimento do elemento, já então purificado. Esta ação também pode ser entendida metafòricamente, neste caso, como sendo um processo de purificação do espírito do próprio alquimista, que assim renascia das cinzas como a lendária ave Fênix.

Ricardo Newton

Professor de Desenho e Pintura da Escola de Belas Artes da UFRJ

Artista visual, dedicando-se preferencialmente à pintura à óleo, tendo já

realizado várias exposições individuais e participado de inúmeras coletivas.

ricardonewton@terra.com.br

www.ricardonewton.com